Caridade

     “Não devemos dar o peixe, mas ensinar a pescar!” Há muito que essas palavras vêm sendo repetidas pela sociedade. É, contudo, duvidoso se são de fato seguidas. O ensinar a pescar costuma dar um tremendo trabalho, um trabalho que poucos estão dispostos a assumir, mesmo que sejam muitos os que desejam o doce sabor da caridade.
     Nós temos o dom de nos comovermos, mas vez ou outra, nos esquecemos que também foi-nos dado o dom do pensamento. Esquecemos de usar a razão na hora de ajudar o próximo, esquecemos, ou não vemos que nosso ato caridoso muitas vezes é, na verdade, egoísta. Doar faz-nos bem, é fato! Mas esse ato de doação precisa ter real valia ao paciente de nossa “benevolência”. Sem essa demagogia de que o que vale é a intenção, afinal, como ouço em outro ditado popular: “de boa intenção o inferno está cheio!”
     Um ato de caridade precisa servir para algo mais além de acalentar a alma do caridoso. Precisamos pensar em uma melhor maneira de ajudar, e ainda mais importante, pensar se somos capazes de ajudar. Não é raro um indivíduo querer doar o que não tem. É preciso ter para dar. E essa regra não funciona somente com substantivos concretos não! Vide amor: é impossível amar sem saber o que é o amor. A regra é simples, mas de difícil compreensão.
Precisamos, sem exceção, aprender a pensar. Precisamos formar a nós mesmos nesse curso dificílimo que é a vida, para então estarmos aptos à caridade. Assim como ninguém deve oferecer uma maçã podre ao outro, não devemos esquecer-nos de estarmos sempre sãos para nos oferecermos ao outro. E quando falo em sanidade, falo da mental também, ou melhor, principalmente!
     Devemos sim ajudar ao nosso semelhante, mas sem deixar de lembrar e compreender que são necessárias duas coisas: caráter e inteligência, esta então é crucial para que não fiquemos o tempo todo - perdoem-me este último dito popular – “tapando o sol com a peneira!”

Heitor Victor

Comentários

  1. Concordo com vc Heitor, na minha opinião os pilares devem ser ética e respeito com a dosagem certa de um cuidado de si...
    Mas o que mais me preocupa hj é que as pessoas estão perdendo o dom de se comoverem... estamos enrijecendo nossas percepções e perdendo a sensibilidade...

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